Blog Raízes

Do tradicional ao digital

Digital | 3 min de leitura

Publicado em: 27 de fevereiro de 2019
Escrito por:
RAPHAEL GULLO RAPHAEL GULLO - Diretor de Relacionamentos

Já que estou para completar 45 anos de carreira, quero deixar aqui um testemunho “dinossáurico”, de todas as fases por que passei e como tive que me reinventar para acompanhar os avanços tecnológicos e de conceitos ao longo de todo esse tempo.

Corriam os anos 1970 e eu começava a me encantar pelo mundo da propaganda. Ninguém ainda falava em marketing. Os veículos de comunicação na região onde eu morava se restringiam às emissoras de rádio AM e a poucos jornais. E tudo era produzido de uma maneira extremamente artesanal. Lembro-me de ficar fascinado vendo um linotipo produzir, em chumbo quente, os caracteres dos textos e os precursores dos fotolitos: os clichês, feitos em madeira e zinco (pesadíssimos), que eram as matrizes das fotos que ilustravam as matérias. Costumava a brincar que os clichês eram uma versão atualizada das tábuas de Moisés, mais finos e mais leves.

Em 1975, as agências norte-americanas ditavam as normas da criação e as agências brasileiras seguiam fielmente. Surge o Planejamento Estratégico e as agências começam a adotar as duplas de criação.

Nas artes gráficas, o sistema de impressão offset era a grande revolução tecnológica, utilizando como ferramentas o fotolito e a prova de prelo. Para o tratamento de imagens, a maior sofisticação era o sistema de aerografia, que convencionou-se chamar “Retoque americano”.

Os anos 70 fixaram o conceito da propaganda, mas não o avanço dela.

A partir de 1980, descobriu-se, definitivamente, que o marketing é indispensável para qualquer desenvolvimento mercadológico.

Começa o fenômeno da segmentação e uma série de mudanças editoriais. Surgem as publicações para públicos específicos.

A propaganda fervilhava em São Paulo e Rio de Janeiro. Grandes agências como DPZ, MPM, McCann-Erickson, Norton e Lintas, ditavam os rumos da propaganda no país.

Surgiam os grandes profissionais da criação, como Neil Ferreira, Washington Olivetto, Júlio Ribeiro, Roberto Duailibi, Francesc Petit, Zaragoza, Nizan Guanaes, verdadeiros monstros sagrados que influenciaram muitos jovens a trilhar esta apaixonante profissão. Campanhas memoráveis, criadas por estes gênios, ficaram até hoje na memória coletiva: Garoto Bombril, Primeiro Sutiã (Valisère), Calças USTop, Tio da Sukita etc. Haja inspiração!

Surge a Transmissão via Satélite e a era da consolidação do marketing no país.

Chega 1990, e com ele a década da maturidade. O início da era virtual.

Os anos 90 começam em ritmo acelerado, com o surgimento da Internet. O mundo passa a ser interligado por uma rede de computadores. A revolução é geral. Tudo muda radicalmente, desde as ferramentas de trabalho até os conceitos que norteavam a propaganda mundial.

Em 2000, surgem as Redes Sociais e a Era da Conectividade.

Verdadeira loucura, assim pode-se chamar o surgimento do Orkut. Uma rede social que se alastrou pelo mundo, sendo o Brasil um dos maiores usuários desta plataforma, naquela época. Durante 14 anos, o Orkut “nadou de braçada”, até a chegada do Facebook.

Daí para a frente, não houve mais limites. O Marketing 3.0 abriu caminho para o marketing centrado no ser humano e, em 2009 e 2010, surgem – respectivamente, o WhatsApp e o Instagram. Nem Marshall McLuhan ousaria pensar que a aldeia global que ele profetizou ficaria tão próxima.

Por estas e outras histórias, aqui cheguei e fui ficando. Sempre com a mesma paixão por esta profissão que me encantou desde os tempos de adolescente.

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